Surrealiste Ball

  Château de Ferrières iluminado como se ardesse em chamas

O tão espiculado Baile Surrealista oferecido pelo Barão e Baronesa Guy de Rothschild em 1972 no Château de Ferrières, reverbera ainda hoje como se tivesse acontecido poucos dias atrás. O motivo? Talvez o próprio tema “surreal” tenha contribuído para que esta noite mágica ainda cause tanta curiosidade. Algumas fotografias que por décadas não haviam sido publicadas, surgiram recentemente no mundo virtual-surreal e analogias, elocubrações, fantasias e imaginação graus acima da realidade tem atiçado as mentes mais curiosas. O Surrealist Ball tem sido chamado ” Illuminati Ball” e dizem que a cerimônia com cenas ardentes do filme “Eyes Wide Shut” de Stanley Kubrick foi inspirada no baile surreal dos Hot…schild. Bom isso tudo vcs podem “dar um google” e checar. Lembro daquele ano como se fosse hoje. Sou capaz de fechar bem os olhos e relembrar. O primeiro semestre de 1972 ficou marcado pela morte de Edward VIII, o rei que abdicou ao trono pelo amor a Wallis Simpson. Na verdade, abdicou pelo amor a sua individualidade e sexualidade. Já o segundo semestre daquele mesmo ano passou rápido como uma nave lançada ao espaço. Paris, o centro da honorable societé e da “sophisticacion”, fervia a espera do baile de inverno. O convite para o Diner de Têtes Surréaliste foi escrito de trás para frente e exigia cravate noire para os cavalheiros e robe longue para as damas. Para decifrar o convite em letras emaranhadas escritas em reverso, era necessário um espelho. Recebemos os convites com 45 dias de antecedência como manda o protocolo para uma soirée ultra elaboré (amo inventar palavras mas o correto aqui penso seria préparé) já que para a ocasião, cabeças mirabolantes deveriam ser criadas além dos modelitos inéditos para as mulheres. Verifiquei minha agenda de couro vermelho-racée da Hermès e constatei que euzinho ainda não havia nascido em 1972. Então acendi uma vela e fiz um pedido para o deus do Absurdo: Caro Absurdeus, quero quero quero ir ao Baile Surreal então me faça nascer em tempo para não perder a noitada sofisticada de 12 de Dezembro de 1972. Fechei a agenda e subitamente me materializei ali na Ile Saint Louis. Condes e Condessas, viscondes e viscondessas, barões e baronesas, príncipes e princesas, artistas, atores, atrizes e Lord Rollo…todos lá. Usei um smoking negro-sussuro e na cabeça, mandei produzir um cubo mágico com video-camera com capacidade para captar/gravar o pensamento e o desejo das pessoas. Captei desejos dramáticos, fálicos, trágicos…e quase me perdi na imensidão dos domínios de Ferrières. Cheguei a bordo de um Rolls Royce cor marron glacé que Carmen Mayrink Veiga usava na época em Paris e me emprestou com direito a choffeur privé todo arrumado no libré, por sinal motorista lindíssimo viciado em liberté. Uma querida amiga condessa, tirou do armário um longo exuberant-gritant que tinha pertencido a sua avó mas como a moda da época dizia que ser rica e magra nunca era suficiente, então o tal vestido ficou sobrando-dançando e a condessa acabou encomendado algo sur mesure a YSL , o grande gênio da moda da mais alta roda.O Château de Ferrières ganhou iluminação vermelha e âmbar simulando labaredas e a visão longínqua do castelo era de que estava pegando fogo, o que de fato aconteceu nos salões e alcovas. Alcovas…dali que Salvador foi as forras, visto em companhia de figura bizarra e enigmática que muitos juravam ter vindo do além. Os anfitriões, Barão Guy de Rothschild e Baronesa Marie-Hélène de Rothschild aguardavam os convidados no salão-mór no andar de cima. Era a verdadeira chegada ao paraíso das loucuras criativas sem limites passando dos looks dos convidados ao decor inusitado. M H usava um longo evasé cor gelo glacial em contraste com seus belos cabelos ruivos. Seu acessório de tête era uma imença cabeça de alce ornada com chifres aveludados e o detalhe mais absurdo de toda a festa é que a máscara-alce tinha duas imensas lágrimas cristalizadas.Eternizadas…. assim foram as horas daquela noite inesquecível. Uma das lágrimas caiu e desapareceu na multidão…escuridão. Os diamantes assim como as belas memórias são eternos. No céu ou no inferno!

Obs: as lágrimas eram do mais alto quilate!

Dica: casamentos, bailes e festas sofisticadas devem ser de terça a sexta. Fim de semana é para comemorações mais íntimas que também podem ser na praia ou campo.

 


Barão e Baronesa Guy de Rothschild, anfitiões do Baile Surrealista


Audrey Hepburn bem happy engaiolada

O Barão de Redé confere o teor das lágrimas de diamantes


Salvador Dali num dos lounges – alcova

 A boneca de cabeça dupla parece estar a procura de outra cabeça…


Menu Exquisite !


Mesa de doces com cadáver açucarado

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