BERNARD BOUTET DE MONVEL

        
Escultor, pintor e decorador, Bernard Boutetde  é um dos artistas do Art Deco que mais admiro. Considerado um dos homens mais bonitos e de maior bom gosto na Paris dos anos 20 e 30, encantava Príncipes e Marqueses além de toda a sociedade internacional abastada da época. Seu estilo de pintura retilíneo é masculino mas a graciocidade das cenas e movimentos do assunto explorado cria a harmonia necessária para equilibrar a geometria do seu estilo de pintar e desenhar. Portraits “em perfil” é uma de suas particularidades. A grande decoradora Lady Mendl ( née Elsie de Wolf ), Marquês de Cuevas, os du Pont, Vanderbilt e Frick foram retratados por Bernard Boutet ( assinava BB do lado esquerdo das obras) com grande elegância  e resultado quase hiperrealista. Pesquisando um pouco mais sobre sua postura e alto gosto, posso afirmar que BB emprestava todo seu garbo a quem quer que fosse retratado. A Sotheby’s Paris coloca à venda dias 5 e 6 de abril seu acervo particular que inclui inúmeras pinturas, móveis e objetos pessoais que estiveram guardados pela família. www.sothebys.com

A pintura acima do Maharadjah D’Indore é uma das mais conhecidas
   Bernard Boutet de Monvel, 1881 Paris e faleceu em 1949 no desastre aéreo nos Açores

  
A esquerda “Le Colonel Dimitri D’Osnobichine”  e a direita Le Prince Sixte De Bourbon-Parma

 L’Abondance et Apollon

   Diane et Actéon 

Portrait de William Kissam Vanderbilt, Jr.

  
Etudes de Palmiers et de Végétation

HOTEL DE L’EUROPE AMSTERDAM

  
 

O Hotel de L’Europe em Amsterdam  é histórico e ultra tradicional. Com arquitetura do século 19, foi construído como um grande palácio bem na quina de um dos canais da parte mas antiga da cidade e foi também o primeiro prédio com eletrecidade. O de L’Europe nasceu para ser um five stars hotel desde o início. Com 111 suítes, todas voltadas para o canal, o hotel foi adquirido pela família Heineken há 3 gerações. A imensa galeria de entrada com obras que reproduzem famosas pinturas dos old masters holandeses, é iluminada por fileiras de lustres de cristal à esquerda e à direita. O Freddy’s Bar todo em estilo art deco original, deixa no ar a deliciosa essência de um autêntico filme noir. Os locais elegem o Freddy como um dos bares mais especiais da cidade. Minha suíte no de L’Europe é um sonho: toda forrada com papel de parede azul com desenhos brancos em chinoiserie, cortinas de veludo acinzentado, cama com os maiores travesseiros que já abracei e sala de banho com placas imensas de Carrara e mais um terraço de quase 5 metros debruçados sobre o canal. Precisa mais?  Ah, toda noite, um cartão “pillow notes” com uma frase curiosa é colocado ao lado da cama. O de L’Europe era o hotel favorito de Alfred Hitchcock. Minha querida amiga Renée Behar, uma das pessoas mais exigentes em termos de gosto e serviços, também elege o de L’Europe como sua casa quando está na cidade. Amsterdam é daqueles destinos que podem ser visitados o ano todo mas especialmente em Dezembro quando acontece o mágico Festival das Luzes, ou fim de março quando o jardim mais lindo do país é aberto a visitantes por apenas duas semanas, ou no verão quando todos vestem laranja (cor oficial da Holanda) para a grande festa em comemoraçãoo o aniversário do Rei. Em Agosto, Amsterdam transborda de alegria com o Gay Pride, um dos mais famosos do mundo. Novidade para mim foi descobrir que no alto inverno, caso a neve se extenda por 3 ou 4 dias, os canais d’água congelam e transformam-se em pistas ou corredores de patinação. Visitar os 3 museus vizinhos é uma das atividades obrigatórias logo nos primeiros dias . O Van Gogh, Stedelijk de arte comteporânea e o gigantesco Rijksmuseum estão a walking distance entre si. Depois deste banho de imersão cultural, o que mais amo fazer em Amsterdam é pegar uma bike e pedalar pelos canais desenhando e fotografando as fachadas e detalhes das portas das townhouses de tijolos crus ou pintados. A sensação de liberdade que a cidade proporciona é para ter para sempre na memória. O de L’Europe faz parte do Leading Hotels of the World e as reservas podem ser feitas diretamente com a LHW. 

 
 

   
     

    
   

   

  
 
  

    
 

TEFAF 2016 • PERFECT STYLE COMBO

  
Mixar, juntar, reunir estilos e épocas distintos e fazer tudo sonorizar como uma perfeita sinfonia é uma das maiores artes da atualidade. Esta forma de arte não tem regras estabelecidas e o resultado é inacreditavelmente inesperado. O melhor disso tudo é que pouquíssimos dominam esta técnica que pode ser  verdadeiramente chamada de Bom Gosto. Bon Goût é uma arte tão rara que muitos tentaram banalizá-la. Este Post é um combo de peças clássicas, modernas e contemporâneas que separadas são fantásticas e juntas alcançam a beleza do extraordinário. A Tefaf Maastricht reúne o que existe de melhor nas artes e através deste puzzle de estilos provo que o preconceito em termos de estilos é para mentes que só olham para a esquerda ou para a direita. Meu presente para vcs é olhar o Todo com o máximo do bom gosto!

Acima, colares e pulseiras Giraffe de Jean Dunand, o mesmo artista das famosas ânforas com motivos geométricos laqueados que ficavam no living da casa de YSL. O set foi vendido na Tefaf pela Galeria Van Kranendonk Duffels por algo entre 150 mil Euros. O console veneziano séc XVIII decorado com flores e tampo de jaspe siciliano, do antiquário Piva & C. é perfeito para a obra contemporânea de Su Xiaobai que lembra um grande ladrilho de laca rouge de fer. 

Acima, escrivaninha de aço e madeira  do designer francês Michel Boyer, criada nos anos 70 para o  escritório do banqueiro Elie de Rothschild em Paris foi levada a Tefaf pela Galeria Demish Danant. O belíssimo bureau plat abaixo, de Georges Jacob, nome importante do período Império francês, da Galerie Perrin, combina mogno e apliques de ormolu. Considero as duas peças opostos complementares.  


 
    

O longo console circa 1953 de Charlotte Perriand da Galerie Downtown François Laffanour pode sim conviver com a elegantíssima cadeira de estilo inglés Regency, circa 1802,  assinadíssima por Thomas Hope. Apresentada na Tefaf por H.Bairman & Sons. A banqueta de T. H. Robsjohn Gibbings ( Galerie Eric Philippe) do fim dos anos 40, tem shape orgânico, perfeita para quebrar a linearidade do console. A ânfora de porphyry e bronze dourado é sueca, circa 1820 e adiciona elegância monumental a qualquer sala. Exibitor: Galerie Perrin 

A mesa de centro moderníssima criada em 1981 por Pierre Paulin, buscou inspiração em catedrais góticas. Exibitor : Demisch Danant

TEFAF 2016 • WHITE SOUL

  
A TEFAF -Maastricht é muito mais que uma das mais importantes e pioneiras feiras de arte. A cada edição que acontece anualmente no interior da Holanda, o supra-sumo da pintura, mobiliário, papéis e artes decorativas está ali seja para quem estiver disposto a pagar alguns milhões de Dólares, Euros ou Libras ou simplesmente se deixar encantar por muito mais que mil e uma maravilhas. O opening é como uma corrida ao ouro para mim. Desvendar os highlights e preciosidades me deixa tão animado que só descanso depois de passar a madrugada editando as fotos para compartilhar com vcs. Neste e nos próximos posts , o melhor da TEFAF 2016 , que em outubro e maio do ano que vem ganha edição extra em New York. A obra ” Smell ” , da série Os 5 Sentidos de Rembrandt, é a atração mór este ano e foi vendida antes mesmo da inauguração (post no Instagram Fabrizio Rollo). Com foco em algumas tendências, batizei de White Soul a mais limpa, pura e sempre bela delas. O branco é a única cor que aparece com grande destaque em todos os estilos e momentos da história ocidental e oriental dos últimos séculos. Confiram estas maravilhas antiquíssimas, moderníssimas ou atualíssimas capazes de iluminar a alma no primeiro olhar.

Preciosidades Iluminadas: Picasso, Matisse, Fontana, Van Cleef, Henry van de Velde, Jean-Charles Moreaux , Hoffman, Albers, Mackintosh, Jean Michel Frank, Jean Royère, Chatlotte Perriand, Grenander, Paolo Scheggi, Carel Balth, Anish Kapoor, Luis Tomasello, Lalanne, Rulhman , veado japonês de porcelana do período Edo ( 1615-1868), mobiliário indiano século XVIII de marfim esculpido, poltronas de osso do designer Rick Owens …
     
  

  

    


   
  
 

  

SOFÁ

  
O sofá é a atração maior do living. É sem dúvida o que mais chama a atenção … ao entrar numa grande sala, o primeiro olhar é sempre dirigido ao sofá… é quase instintivo já que é ali que vai sentar …por isso não economize na escolha do tecido. Usei o veludo mais chic que existe em tom azul-crepúsculo que tem efeito levemente desgastado-envelhecido. Almofadas de tapeçaria de veludo padronagem leopardo e no centro a almofada de jacquard de veludo com palmette no centro completam o look que permanecerá insuperável pelos próximos 100 anos. Viram como vale o investimento? Decor  FABRIZIO ROLLO INTERIORS

60s – 70s

  

O novo livro Decorators of the 60s -70s que acaba de sair pela Norma Éditions ( autores: Patrick Favardin e Guy Bloch-Champfort) é um dossiê indispensável para compreender o estilo, o design e os interiores destas duas décadas que se fundem em nome de uma decoração totalmente personalizada, extravagante e única. Tudo podia nos 60-70. Só não podia a mesmice….ser igual ao outro era crucial. Nunca o decor foi tão autêntico. Este livro não pode faltar em sua biblioteca. Um documento histórico como esse, reúne colecionadores, connoisseurs e historiadores antes de ser publicado. São estes “entendidos” que indicam aos editores o assunto, a pauta, a tendência que está em alta. Os anos 60 e 70 estão de volta ao mercado da moda, do design e do mobiliário e nunca valeram tanto. Redescubra este período áureo da liberdade de expressão que volta a brilhar tanto na moda quanto no decor. 

  
O icônico apartamento de YSL na Rue de Babylone, reunia o melhor do art deco como as  monumentais ânforas de Jean Dunnand, 1925. A sala de jantar ao fundo, antes de ser decorada com mobiliário francês e italiano do séc XVIII, explorava o design moderno da mesa Saarinen, criada em 1957 , mas que ficou internacionalmente conhecida só nos anos 70 devido a produção industrial pela empresa americana Knoll.

 
Acima, Boutique Lanvin com paredes espelhadas e mobiliário de aço. No carpete rouge de fer, o logo Lanvin que foi muito explorado nos anos 70. Decor assinado por Michel Boyer.

   Apartamento de Karl Lagerfeld em Paris mixava o design italiano da poltrona Elda de Joe Colombo ao art deco francês visto no screen de lareira de Edgar Brandt e no espelho Ruhlmann.